Continuando a nossa viagem louca de cinco dias em Portugal, depois de conhecermos Lisboa em um dia e meio, nosso terceiro dia no país começou com um cronograma inusitado. O objetivo era conhecer as cidades de Sintra e Évora. Começamos por Sintra, mas confesso que se refizesse a viagem hoje
alteraria a ordem das cidades e sairia cedo do hotel rumo a Évora ou então começaria por Sintra e pernoitaria em Évora. Do jeito que fizemos foi muito, muito louco porque as duas cidades são bem distantes uma da outra, mas vamos lá...
A vila de Sintra, nossa primeira parada do dia depois de sairmos do hotel as 8:30h,
é considerada Patrimônio Mundial pela UNESCO, foi ocupada por diferentes povos
ao longo dos séculos e preservou arquiteturas peculiares lindíssimas compostas
por palácios e jardins exóticos. Sintra certamente merecia mais do que uma
manhã chuvosa no meio do inverno europeu, mas mesmo com pouco tempo percebo que
conseguimos ver mais coisas do que muitos viajantes que dedicam um dia inteiro
à cidade.
OBS. Estávamos de carro e utilizamos GPS para chegar, mas é possível ir de trem. Na estação Rossio (que faz conexão com a estação Restauradores) existem trens que partem de Lisboa em direção a Sintra. Para saber horários acesse o site Comboios de Portugal.
Para que desse tempo de irmos a todas as cidades que
pretendíamos, planejamos com antecedência as atrações que mais nos interessavam
em cada cidade e especificamente em Sintra, nos interessavam o Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros e a
Quinta da Regaleira.
O plano era passar a manhã em Sintra de onde
deveríamos sair entre 13:00 e 13:30h rumo a Évora. Chegando à cidade
subimos direto ao Palácio da Pena, local onde no século 15 existia uma capela
dedicada a Nossa Senhora da Pena, transformada no século 16 em Convento da
Ordem dos Jerônimos. A construção ficou abandonada por aproximadamente, 80 anos
até que no século 19, o rei Fernando II de Portugal se encantasse pelo convento
em ruínas maltratado pelo tempo e pelo terremoto de 1755, promovendo obras de restauro para transformá-lo em sua futura
residência de verão.
Depois da morte do rei, o palácio foi deixado para sua
esposa, a condessa de Edla e com a implantação da República Portuguesa foi
convertido em museu.
No
alto de uma colina a melhor forma de acesso para o visitante que não está de
carro é subir num ônibus de turismo.
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO:
10HS AS 18HS (no inverno).
O Palácio da Pena é extravagante em todos os sentidos e sua visão impressiona já a primeira vista.
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Já
o interior do palácio nos conta sobre os hábitos de vida da nobreza portuguesa
do século 19. Nessa bela sala de jantar, por exemplo, é possível que tenham
sido tomadas importantes decisões para futuro de Portugal.
Saímos do Palácio
da Pena encantados, pegamos nosso carro, ligamos o GPS e partimos em direção ao
Castelo dos Mouros. Segundo mostram as pesquisas arqueológicas realizadas na
zona de Sintra, a primeira ocupação deste local data de antes de Cristo. Mais
tarde, já no século VIII d.C., quando da Invasão da Península Ibérica por parte
dos muçulmanos, estes construíram aí a primitiva fortificação, instalando uma
povoação à qual deram o nome de "as-Shantara'.
O objetivo dessa construção era o de controlar de uma forma estratégica todas
as vias terrestres que ligavam Sintra a Lisboa, Mafra e Cascais.
Em 1147, Sintra
foi entregue de forma voluntária e definitiva a Portugal e os muçulmanos foram
expulsos. Nos séculos seguintes, foram vários os reis de Portugal que viriam a
eleger Sintra como seu local de estadia, mas escolhendo o Palácio Nacional de
Sintra para esse efeito, em detrimento do Castelo dos Mouros. O castelo entrou
em decadência. Hoje apenas as ruínas e todo um mundo que se esconde sob elas
nos dão testemunho dos antigos habitantes desse lugar, cuja energia é
fortíssima, eu teria perdido horas subindo e descendo as escadarias...
O horário de funcionamento também é de 10:00h às 18:00h
Depois do Castelo dos Mouros partimos novamente, dessa vez rumo a um dos destinos mais místicos de toda a mística Sintra rsrsrs, um lugarzinho inusitado que eu descobri através do Tripadvisor, a Quinta da Regaleira.
A Quinta na
verdade é uma mansão com lindos jardins que escondem alguns monumentos
misteriosos e encantadores. Não é considerado patrimônio nacional, mas sim um imóvel de interesse público. Diz-se que é um local repleto de símbolos ocultos,
ligados à Maçonaria. O lugar é lindo e realmente impressionante. Nessa manhã cinza então...
O ponto mais interessante dos jardins é o poço iniciático. Eu já tinha pesquisado sobre ele antes de ir e peguei até um mapinha na entrada para saber exatamente como encontrá-lo.
O poço é uma
torre invertida que ao invés de subir, aprofunda 27 metros dentro da terra. Há
uma escadaria em espiral, com 9 patamares, que vai descendo. Não se sabe ao
certo o que o poço significa, há quem diga que simboliza o nascimento e a
morte, interpretação que se justifica em razão da suspeita de que aqui se
faziam rituais de iniciação da Maçonaria, daí o nome poço iniciático.
Existe a crença
de que a terra simboliza o útero materno de onde provém a vida, mas também a
sepultura para onde o homem voltará. Muitos ritos de iniciação aludem a
aspectos do nascimento e morte ligados à terra, ou renascimento. O Fred ficou encantado com a história do local e logo que entramos nos pusemos a procurar o bendito poço conforme descrição no mapa. Nosso primeiro ponto de parada foi o Portal dos Guardiões.
Tiramos fotos e continuamos nossa caminhada. Eis que do nada avistamos uma gruta, estava bem escuro lá dentro, eu não queria entrar, mas o Bruno iluminou o caminho com o celular e fomos entrando sem ter ideia de onde sairíamos. O lugar é todo meio estranho mesmo. Dá só uma olhada...
Para nossa surpresa depois de andarmos por essa gruta meio sinistra, do nada nos deparamos com ele, o famosinho de Sintra rsrsrs.
Depois descobrimos que todos os caminhos levariam à Roma, ou melhor, ao poço. Existem grutas que o ligam a diferentes pontos dos jardins. É de fazer cair o queixo.
Fred se emocionou com cada detalhe, é claro.
Depois de nos perdemos mais um pouco pelos jardins da Quinta da Regaleira, achamos que já estava na hora de partirmos, afinal, ainda pretendíamos visitar Évora que estava a quase duas horas de distância. Faltou passearmos pelo centrinho histórico de Sintra, faltou a visita a famosa periquita e ao Palácio de Seteais, mas consegui ver todos os pontos que me programei para ver nessa cidade.
De lá, partimos rumo a Évora depois de um lanche que substituiu nosso almoço. Já passava das 15:00hs a essa altura, nos demoramos mais do que o previsto em Sintra e nossa viagem até a próxima cidade foi uma corrida contra o tempo porque a capela dos ossos fecharia às 17:00h. Nossos pontos de interesse eram o Templo de Diana, a Sé Catedral e a Capela dos Ossos que fica no interior da igreja de São Francisco.
Umas duas horas depois....desponta Évora e suas bonitas muralhas medievais. Sim, a entrada de Évora nos transporta para um filme, essa cidade preserva suas muralhas. Quando chegamos estava claro ainda, essa foto está escura porque foi tirada na saída enquanto me despedia.
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| Muralhas de Évora a luz do dia. |
Não adiantou correr, não consegui chegar a tempo de ver a Capela dos Ossos..., já passava das cinco...o que não impediu que eu apreciasse ouros pontos da cidade.
O templo de Diana foi um deles. É um dos marcos da cidade e um
dos principais símbolos da ocupação romana de Portugal. O templo foi
originalmente construído no século I d.C. para servir de local de culto ao
imperador Augusto e ainda conserva 14 das suas colunas. Reza a história que foi
erigido em honra de Diana, a deusa romana da caça, daí ser conhecido como
Templo de Diana.
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| Acredite se quiser, esse casal saiu na foto acidentalmente. Parece até que posaram. |
Bom, os amantes de Évora que me perdoem, mas acho que eu a teria excluído do meu curto roteiro, não porque a cidade não tenha seus encantos, pelo contrário, é bonita, arquitetura típica, enfim. Mas pela distância, acho que os pontos de interesse são limitados se comparados com outras cidades de Portugal.
Já exaustos, saímos de Évora em torno de 19:30h rumo à Lisboa. Jantamos num restaurante próximo ao hotel e dormimos o cansado e justo sono dos viajantes rsrsrs.




















































































