quarta-feira, 28 de outubro de 2015

LISBOA EM UM DIA E MEIO PARTE II

 2º  dia - aproveitando o melhor de Lisboa



Vista do rio Tejo em Belém a poucos metros do Padrão dos Descobrimentos. Estava linda essa manhã do ameno inverno português.

 Em nosso segundo dia, começamos tomando um metrô na estação próxima ao hotel (estação Marquês de Pombal) em direção ao cais Sodré de onde pegaríamos o elétrico 15 em direção a Belém. Lá, pretendíamos conhecer a famosa Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerônimos e o Padrão dos Descobrimentos.
Aqui cabe uma pequena pausa para mencionar que quando viajo dou preferência a utilizar os meios de transporte típicos de cada região, gosto de observar como são os hábitos dos moradores, como se locomovem, como vivem suas rotinas, só assim consigo comparar a vida no meu país e a vida nos países visitados. Os elétricos, por exemplo, são o encanto de Lisboa e eu não perderia a chance de utilizá-los rsrs.
Andar no elétrico 15 foi meio estranho porque é bem moderno, assemelhasse ao nosso metrô de superfície só que não existem cobradores e sim máquinas onde o próprio passageiro seleciona o número de passagens e paga.
Nós ficamos abismados porque se fosse no Brasil acredito que quase ninguém pagaria. Segundo nos informaram alguns portugueses também não pagam, mas existe fiscalização, a qualquer momento pode entrar um fiscal pedindo aos passageiros para comprovar o pagamento da passagem. Bom...durante a nossa viagem de mais ou menos 25 minutos não entrou fiscal nenhum.
Ao descermos em Belém fomos andando até o Padrão dos Descobrimentos. E não é que descobrimos outras paisagens lindas da cidade?
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Eu e mami, minha grande companheira de aventuras pelo mundo, me acompanha quase sempre.
  
Criado em 1960 por ocasião das comemorações dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique, o Padrão dos Descobrimentos em forma de Nau, relembra todas as personagens importantes para os descobrimentos portugueses.
Horário de Inverno: 9h às 17h
De lá, seguimos em linha reta para a Torre de Belém.
 
Magnífica Torre de Belém
 
 

Foto com zoom dos detalhes da Torre e sua linda arquitetura. 


 

Foto do alto da Torre de Belém
 
Construída no Séc. XVI  servia para orientar a entrada em  Lisboa por mar e era também de onde partiam as caravelas dos descobrimentos.


Com um pouco de disposição é possível subir a torre, o tráfego de pessoas lá dentro é intenso e os grupos sobem de descem um de cada vez porque os degraus são muito estreitos. A vista é bonita lá de cima.

 
 

Interior da Torre
   
 
 

 

Mirante da Torre

 

 
 
Depois de sairmos da Torre, andamos debaixo de um agradabilíssimo sol de inverno (que nos fez até tirar os casacos) em direção ao Mosteiro dos Jerônimos. A entrada  nós pagamos junto com a entrada da Torre de Belém, lembre-se de pedir a entrada combinada no monumento que visitar primeiro.

O Mosteiro é de longe a construção mais imponente que visitei em Lisboa, mesmo de longe chama atenção não só pela magnitude da construção, mas também porque para chegar até ele podemos caminhar através de uma praça de lindos jardins que parecem emoldurá-lo.

 
Mosteiro dos Jerônimos

A edificação é tão grande que é difícil captar numa única foto toda a sua extensão.

Detalhes da arquitetura do Mosteiro
 
Foi construído no séc. 16 e celebra a expansão territorial portuguesa. É um monumento impressionante e permite quer uma visita ao interior da igreja de Santa Maria de Belém (gratuita) como também uma visita aos claustros do mosteiro (paga).

Horário de Inverno: Out – Abr: 10h às 17h30

O Mosteiro dos Jerônimos é tão lindo e grandioso por fora quanto por dentro.

 

 
Interior do Mosteiro

 
 
Interior do Mosteiro

Interior da Igreja Santa Maria de Belém.
 






















 
Numa rua próxima ao Mosteiro está a famosa Fábrica de Pastéis de Belém, os mais famosos da cidade, quiçá do mundo rsrsr. Lá, os pasteizinhos são fabricados com a mesma receita desde 1837 e a fábrica é citada em quase todos os guias de viagem. Nós não tivemos vontade, nem tempo para ir até lá experimentar os benditos pastéis, mesmo porque o que mais comemos durante nossa visita a Lisboa foi essa famosa iguaria, deliciosa mesmo que comprada na birosca mais baratinha da esquina (pelo menos as que provamos foram todas muito gostosas).
Para quem viaja com mais tempo, talvez seja interessante passar por lá e conferir o pastel de Belém mais famoso do século rsrs.
De Volta ao elétrico 15 retornamos ao centro de Lisboa, descemos na Praça do Comércio e caminhamos para Rua Augusta onde minha mãe queria a todo custo fazer umas comprinhas. Paramos para almoçar lá mesmo, num dos muitos restaurantes da região.

Frederick, Fátima e Sérgio a espera do delicioso bacalhau português na Rua Augusta. Esse simpático casal (meus sogros) nos acompanhou pela primeira vez nessa viagem e foram contaminados pelo vírus "viajandus contumazes". Em breve, novas aventuras em família.

 Vários restaurantes na Rua Augusta dispõem as mesas quase no meio da rua, são vários um ao lado do outro. Nessa tarde gelada o fogo das lareiras improvisadas amenizava um pouco a sensação térmica.
 
Depois do almoço, eu estava decidida a andar no famoso elétrico 28, minha intenção era ir até o Castelo de São Jorge e a Catedral da Sé. É que antes da viagem eu pesquisei muito vários blogs que falavam sobre esse elétrico, ele passa pelos principais pontos turísticos de Lisboa e quase todos diziam que não dá para dizer que foi a Lisboa sem ter dado uma volta a bordo desse elétrico.

 

 


Eu, achando que realizaria meu sonho de andar no elétrico 28.

O que ninguém me contou nos blogs de viagem é que não é nada fácil andar nesse bonitinho. É que se trata de um meio de transporte utilizado pelos moradores, então apresenta problemas como lotação e demora, dificuldades comuns a qualquer transporte coletivo aqui no Brasil e em muitas cidades do mundo, principalmente nos horários de pico. O problema é que dependendo do seu tempo, não dá para dispor de uma hora, 40 minutos só para andar de elétrico, mesmo porque não é nada confortável e dificilmente será possível fazer o passeio sentado admirando a paisagem.
 Olha a minha cara de alegria quando depois de 40 minutos o famigerado elétrico 28 passou. Eu estava feliz né? Só que não. Demorou muito, mas muito mesmo a passar e quando passou, parou no ponto onde eu estava e simplesmente não abriu as portas. O elétrico parou, eu e todas as demais pessoas que estavam comigo na enorme fila, apenas olharam e ele foi embora. Simples assim, exatamente como acontece com os ônibus cheios no Rio de Janeiro. Eu completamente estarrecida virei para uma portuguesa que aguardava atrás de mim e perguntei: “Nós estamos aqui há quase uma hora e ele não abriu as portas, por quê?”. A portuguesa meio sem graça me explicou que é normal, quando passa cheio, ele não abre e o jeito seria esperar o próximo rsrssrs.
Fiquei tão irritada de ter perdido meu precioso tempo esperando o elétrico e tão frustrada com a possibilidade de ter que ficar mais quase uma hora esperando o próximo que decidi ir andando até o Castelo. Eu, Fred e Bruno partimos então para a última parte de nossa aventura lisboeta. Nossos pais ficaram aproveitando o comércio da Rua Augusta.
Depois de andar alguns quilômetros sob um ventinho gelado, carregando alguns quilos de roupas próprias para o inverno europeu, tivemos a certeza de estarmos subindo o topo do Everest rsrsrs.  Ô cidadezinha para ter subida...
Mas enfim, superados os obstáculos, eis que me deparo com a gigantesca, a linda, a majestosa Catedral da Sé.
Catedral da Sé. Quem resiste a posar para uma foto em frente a esse lindo cartão postal de Lisboa?

 
Interior da Catedral da Sé

 


 

No interior da Catedral existem muitos túmulos como esse.

 




 

 

 
 

Eu sabia que essa igreja era linda, mas jamais poderia imaginar que fosse tão linda assim. As pesquisas indicam que a Catedral da Sé foi construída sobre uma mesquita muçulmana (lembrando que os mouros estiveram entre os primeiros habitantes da península ibérica).
A sua construção foi de responsabilidade de D. Afonso Henriques e o seu início remonta ao ano de 1150, após três anos da conquista da cidade aos mouros. O tempo e o terremoto de 1755 foram cruéis com essa grandiosa construção. Muitas reformas marcaram sua arquitetura, entre os séculos XIII e XV, por exemplo, foi construído um claustro em estilo gótico a mando de D. Dinis. Seu sucessor, D. Afonso IV, modificou a parte traseira da igreja ordenando a construção de um panteão familiar. Em meados do século XVII foi construída uma sacristia em estilo maneirista e no século XVIII a capela-mor gótica foi alterada em forma barroca.

Na primeira metade do século 20 houve uma grande campanha de restauro, muitas adições da era barroca foram retiradas da Igreja na tentativa de restituí-la algo de sua aparência medieval. Sob o claustro escavações conduzidas desde 1990 desvendaram e desvendam até hoje verdadeiras relíquias históricas, vestígios das ocupações islâmica e românica foram encontrados, além de vestígios de ocupação pré-histórica. Tem como não se encantar? Um lugar como esse, nos dá testemunho de como era a vida há mais de mil anos!


 
Escavações no interior da Catedral - vestígios da ocupação romana, islâmica e até mesmo da ocupação de sociedades pré-históricas estão sendo descobertos aqui.




 

 
 

Os arqueólogos tem um trabalho imenso para classificar cada resquício de arquitetura identificando a sociedade responsável pela construção. Sabe-se que houve ocupação desse lugar na Idade do Ferro por causa dos vestígios de muros da época; a ocupação na época romana é identificada por uma via ladeada por tabernas, uma cozinha, restos de canalizações e uma cloaca; o período visigótico por alguns restos estruturais; a época islâmica por numerosas estruturas como um grande edifício público, numerosas fossas detítricas e alguns tanques.

Mais informações sobre essas descobertas podem ser encontradas no blog Arqueologia vista por dois canudos onde retirei as informações para colocar no blog. Como não contrato guias eu mesma pesquiso toda a história dos lugares que pretendo visitar antes das viagens.

Eu acho incrível o número de informações que essas ruínas podem nos dar. Para quem ama história, esse definitivamente é um dos locais especiais de Portugal.


Saindo da Catedral da Sé, mais um pouco do Everest até chegarmos ao Castelo de São Jorge...


Ladeiras do bairro Alfama.

 
Ainda em Afama

 


E eis que ele desponta...

Castelo de São Jorge





O Castelo de São Jorge é hoje a atração mais visitada de Portugal, sua história é milenar, começa muito antes da ocupação cristã, muito antes de ser chamado de castelo e dedicado ao santo Jorge da Igreja Católica.
Pesquisas arqueológicas apontam que o início da ocupação humana nessa área remonta à Idade do Ferro, mas, na verdade, os registros sobre a edificação que hoje conhecemos como Castelo de São Jorge são um pouco mais recentes, se iniciam quando da conquista da Hispânia pelos romanos (esclarecendo que Hispânia era o nome dado pelos romanos à península Ibérica, atuais Portugal, Espanha, Andorra, Gibraltar e uma pequena parte a sul da França).


Sabe-se que o império romano ruiu ante as sucessivas investidas dos povos bárbaros (os romanos chamavam os invasores de bárbaros, herança dos gregos, que designavam bárbaros aqueles estrangeiros que não eram gregos ou não tinham como língua materna a língua grega) e a região onde se situa Lisboa não ficou imune a tais invasões.


Por ocasião da reconquista cristã da cidade, a fortificação foi alvo de muitas investidas em razão de sua posição privilegiada às margens do Tejo. Entre os anos de 1112 e 1185, com o auxílio de cruzados normandos, flamengos, alemães e ingleses que se dirigiam à "Terra Santa", os cristãos, na tentativa de tomar a cidade e expulsar os mouros definitivamente, investiram duramente contra a fortificação moura.


Após a conquista cristã definitiva, como gratidão, a edificação foi colocada sob a invocação do mártir São Jorge, a quem muitos cruzados dedicavam devoção. Eis a origem da denominação Castelo de São Jorge.



Apesar de continuar a ser alvo de investidas anos mais tarde, a construção resistiu bravamente até que, a partir do século XIII, com a designação de Lisboa como Capital do reino, conheceu seus dias de glória.



O Castelo passou a ser designado como Paço Real, o chamado Paço da Alcáçova, servindo como palácio de bispos, albergue de nobres da Corte e fortificação militar. Muitos terremotos ao longo dos séculos danificaram sua estrutura, além disso, a mudança da residência real para a zona ribeirinha, a instalação de aquartelamentos e o devastador terremoto de 1755 contribuíram para o declínio e a degradação do monumento.
Entre os anos de 1780 a 1807, o castelo chegou a ser utilizado como Quartel-General, interditado aos lisboetas. Após ser classificado como Monumento Nacional em 1910 sofreu obras de restauro que o reabilitaram como monumento devolvendo-lhe antigos traços medievais.



Em 2015 o que encontramos lá foram as ruínas de uma edificação tão imponente que mesmo hoje, vista ao longe, parece guardar a cidade de Lisboa lembrando-a das muitas histórias de lutas para as quais serviu de palco através dos séculos.
A visita se inicia por um bonito jardim e um lindo mirante, que quase nos toma o resto do tempo disponível de tanto que tirávamos fotos do belo entardecer...

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Mirante do castelo, uma das vistas mais lindas de Lisboa.




Eu e Bruno registrando um click nesse mirante lindo. Bruno é meu companheiro de vida, dessa e quem sabe de outras, compartilhamos muitas aventuras nesse mundão de Nosso Senhor rsrs.

Outro mirante do Castelo de São Jorge

É a vista mais bonita da cidade na minha opinião. Para admirar o entardecer na bela Lisboa e para fechar com chave de ouro essa primeira de muitas visitas que virão, não poderia haver local melhor.




 






















Bom, estava no script partirmos rumo ao Parque das Nações ou para um jantar de despedida no shopping Vasco da Gama, local que eu gostaria de ter conhecido (ouvi dizer que existem lojas com bons preços por lá rsrs). Entretanto, faltaram pernas para visitarmos esses locais e acabamos encerrando nossa aventura no Castelo mesmo.
Para retornarmos ao hotel, finalmente, conseguimos pegar o elétrico 28, o que não foi exatamente uma experiência das mais agradáveis, mas pelo menos, satisfez a minha vontade.



Foi assim que o elétrico 28 passou, cheio.
Mas depois de um tempo eu e Fred conseguimos sentar...

































Depois dessa verdadeira maratona, terminamos a noite no meu restaurante italiano preferido em Portugal rsrsrsrs – La Trattoria, mas dessa vez, já um tanto cansado do bom bacalhau português, meu grupinho optou por um delicioso prato brasileiro mesmo rsrs, o que não é difícil de encontrar por lá. Sim, em Portugal se encontra arroz, feijão, bife e batatinha frita.
 

Prato do Sérgio em nossa última noite. Nos despedindo do queridinho La Trattoria.


 
Por fim, posso dizer que valeu muito a pena nossa aventura lisboeta. Das coisas que eu

 gostaria de ter feito e não fiz por falta de tempo mas que se encaixarão perfeitamente

 numa visita de pelo menos uns três ou quatro dias inteiros estão:
 
·         Basílica da Estrela, que foi a primeira igreja no mundo dedicada ao Sagrado Coração de Jesus;
 
·         Parque das Nações onde fica o famoso Oceanário de Lisboa;
 
·         Museu Nacional de Arte Antiga;
 
·        Miradouro do Jardim de São Pedro De Alcântara em Alfama;
 
·        Cacilhas, lugar acessível a partir do Cais Sodré de barco ou ferry de onde é possível ver Lisboa a partir do outro lado do Tejo, uma vista pouco comum para os turistas. Para conferir horários das embarcações acesse o site da Transtejo e a Soflusa.
 
E aí? Gostou do nosso roteiro de um dia e meio nessa cidade linda?

Eu e meus amigos subestimamos Lisboa injustamente, sempre achamos que se tratasse de uma cidade decadente, suja e com poucos atrativos. Que bobagem...Lisboa é uma senhorinha linda e como todos que chegam à melhor idade, guarda sim algumas marcas do tempo, das catástrofes naturais que a vitimaram e algumas vezes, de certo abandono do Poder Público. Nada disso, contudo, lhe retira o charme, o ar de lugar interessante, rico, palco de muitas histórias milenares, palco da nossa história também, por que não? De lá partiram as caravelas do Descobrimento, de lá partiu a família real rumo ao Brasil marcando definitivamente nossa cultura, mudando os rumos da nossa história...conhecer Portugal é conhecer uma história que nos pertence também e se existem ares de uma certa decadência, me pareceu uma decadência encantadora.

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