Nosso quarto dia em Portugal começou cedo como os três dias anteriores. Saímos do hotel às 8:30h rumo ao Porto. GPS ligado, lá fomos nós...
No caminho pretendíamos parar nas cidadezinhas de Óbidos, Alcobaça e Fátima. Pernoitaríamos em Porto e no dia seguinte, voltaríamos à Lisboa na parte da tarde com uma paradinha em Coimbra.
Eis que, uns 60 minutos depois de sair de Lisboa, chegamos a Óbidos. O que podemos dizer sobre essa cidadezinha tão pitoresca? Podemos começar dizendo que é uma das vilas mais
preservadas de Portugal. Toda a cidadela, tomada dos mouros, virou um presente
de casamento do rei Dinis para a sua amada Isabel de Aragão. Logo ao chegarmos já somos surpreendidos por um portal na entrada da cidade. Sim, a entrada é murada como se fosse uma antiga fortaleza, lembra um filme medieval.
Depois de registradas muitas fotos, nos surpreendemos mais uma vez ao entrarmos na cidade, ela se parece com Parati que fica no interior do Rio de Janeiro. Trata-se praticamente de uma única rua repleta de lojinhas que vendem artesanato, roupas, dentre muitas coisinhas que a gente adora trazer de lembrança quando viaja. Um encanto.
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| Quem conhece Parati sabe o quanto a vila de Óbidos se parece com o centro histórico da cidadezinha carioca, se não fosse pelo piso eu mesma teria dúvida sobre o local onde essa foto foi tirada. |
Mas o que mais queríamos ver era o famoso castelo de Óbidos. Andamos pelas ruazinhas da cidade até que lá no final ele despontou...majestoso e imponente.
Diz a lenda que o Castelo teve origem romana, depois virou uma fortificação sob o domínio árabe e só no século XII foi conquistado pelos cristãos. Em 1755 sofreu fortes danos com o terremoto que devastou Portugal e acabou sendo reformado no século XX para virar uma pousada histórica. Sim, isso mesmo. O Castelo de Óbidos é propriedade privada, funciona um hotel lá. Eu não entrei, mas dizem que os turistas podem entrar sem problemas.
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| Sérgio ainda se arriscou a subir as muralhas do Castelo e fez belos clicks lá de cima. |
Bom, em Óbidos a ideia era essa mesmo, nosso principal objetivo era conhecer o famoso castelo e foi inevitável não nos decepcionarmos um pouco ao descobrir que é um hotel. Deveria ser um monumento aberto ao público como o castelo dos mouros em Sintra.
A cidade de um modo geral, aparentemente não guarda muitas atrações e ao contrário do que li em vários blogs de viagem, eu não gastaria um dia visitando Óbidos. É uma cidade medieval preservada, bonita e rica historicamente, mas seguindo viagem existem outras que também merecem uma visita combinada.
As cidades de Batalha e Alcobaça, por exemplo, são relativamente próximas a Óbidos e quem tiver disposição vai conhecer o famoso Mosteiro da Batalha também conhecido como Mosteiro de Santa Maria da
Vitória. O mosteiro guarda o status de Monumento Nacional, integra a Lista de Patrimônio da Humanidade.
Diz-se que o Mosteiro da Batalha resultou do cumprimento de uma promessa feita pelo rei D. João I, em
agradecimento pela vitória em Aljubarrota, batalha travada em 14 de agosto de
1385, que lhe assegurou o trono e garantiu a independência de Portugal. As obras prolongaram-se por mais de
150 anos, através de várias fases de construção.
Para o meu grupinho, Batalha teve que ficar para uma próxima ocasião, pois escolhemos (eu escolhi) Alcobaça unicamente em razão do Mosteiro onde descansam os restos mortais do casal protagonista de uma das mais famosas histórias de amor que o mundo já conheceu. Sim, estou falando de D. Pedro I de Portugal e Inês de Castro.
Agora a Inês é morta? Nunca! Na história de Portugal e na lembrança de todos que conhecem sua história, a rainha estará sempre viva...
Então...saindo de Óbidos, novamente com GPS ligado, partimos em direção a Alcobaça onde chegamos mais ou menos em 40 minutos. Paramos direto no Mosteiro, vou postar a foto e depois conto a história.
As fotos não mostram nem de perto da beleza desse lugar, essa construção tem uma extensão tão gigantesca que foi impossível captá-la em um foto única. O mosteiro foi construído sob a forma de uma enorme cruz.
A história mostra que o Mosteiro de Alcobaça foi fundado por um grupo de
monges beneditinos que pretenderam criar novas regras religiosas mais
compatíveis com a vida devota. Os mosteiros que lhes serviriam de residência
deveriam ser edificados em lugares ermos, sem qualquer decoração. E foi assim, após a doação de terras do rei
de Portugal para esses monges que nos idos de 1157 o mosteiro começou a ser
construído.
É nesse local que repousam os restos mortais de Inês e Pedro, mas você conhece a história desse casal? O leitor mais jovem talvez pensará que não, mas quem nunca surpreendeu os pais ou os avós ou até mesmo surpreenderam a si mesmos usando a expressão "agora a Inês é morta"?
Essa expressão tem origem na história de Inês e Pedro. D.
Pedro I de Portugal (que não é mesmo D. Pedro I do Brasil) casou em 1336, em
segundas núpcias, com D. Constança Manuel, uma princesa castelhana. Devido a
muitas guerras entre Portugal e Castela a princesa só conseguiu chegar em
Portugal quatro anos após o seu casamento e trouxe entre seus serviçais uma
camareira - Inês de Castro, que provinha de uma antiga e poderosa família nobre
galega. D. Pedro I apaixonou-se por ela.
Em
1345, D. Constança, esposa de D. Pedro morrera catorze dias após o parto de um
dos seus filhos.
D. Pedro I passou a viver publicamente com Inês de Castro, nascendo desta relação quatro filhos. Muitas tentativas de acabar com essa união foram feitas pelo rei D. Afonso IV, pai de D. Pedro, que temia as pretensões de ascensão ao trono da família de Inês. Nenhuma das tentativas de separação do casal surtiram efeito e D. Pedro I, contrariando todas as convenções sociais, viveu publicamente com Inês de Castro por dez anos.
Em 1355 o rei Afonso aproveitou uma viagem de D. Pedro I para caçar e condenou Inês de Castro a morte por alta traição. Inês foi decapitada e segundo alguns relatos históricos, na frente dos filhos. Ao retornar e saber da morte de sua amada, D. Pedro ficou transtornado, declarou guerra a Portugal e iniciaram-se muitos conflitos.
No leito de morte de D. Afonso, D. Pedro decidiu perdoar o pai e logo após a sua morte, declarando que se casou em segredo com Inês de Castro, a nomeou, postumamente, como rainha de Portugal. D. Pedro reconheceu ainda como filhos legítimos os filhos que teve com ela e determinou o assassinato de seus algozes com requintes de crueldade.
D. Pedro determinou ainda que os restos mortais de Inês fossem transferidos para um sarcófago construído no mosteiro de Alcobaça. No seu testamento, expressou sua vontade de ser enterrado num sarcófago posicionado de frente ao sarcófago de Inês para que quando o casal ressuscitasse no dia do Juízo Final, se olhasse nos olhos.
A história de Dom Pedro I e Inês de Castro foi real, mas inspirou também muitas lendas, diz-se, por exemplo, que depois de ter determinado a execução de Inês, D. Afonso se arrependeu e mandou chamar os executores para cancelar a ordem, mas nesse momento, os algozes de Inês teriam respondido ao rei: Agora é tarde, Inês é morta.”
D. Pedro I passou a viver publicamente com Inês de Castro, nascendo desta relação quatro filhos. Muitas tentativas de acabar com essa união foram feitas pelo rei D. Afonso IV, pai de D. Pedro, que temia as pretensões de ascensão ao trono da família de Inês. Nenhuma das tentativas de separação do casal surtiram efeito e D. Pedro I, contrariando todas as convenções sociais, viveu publicamente com Inês de Castro por dez anos.
Em 1355 o rei Afonso aproveitou uma viagem de D. Pedro I para caçar e condenou Inês de Castro a morte por alta traição. Inês foi decapitada e segundo alguns relatos históricos, na frente dos filhos. Ao retornar e saber da morte de sua amada, D. Pedro ficou transtornado, declarou guerra a Portugal e iniciaram-se muitos conflitos.
No leito de morte de D. Afonso, D. Pedro decidiu perdoar o pai e logo após a sua morte, declarando que se casou em segredo com Inês de Castro, a nomeou, postumamente, como rainha de Portugal. D. Pedro reconheceu ainda como filhos legítimos os filhos que teve com ela e determinou o assassinato de seus algozes com requintes de crueldade.
D. Pedro determinou ainda que os restos mortais de Inês fossem transferidos para um sarcófago construído no mosteiro de Alcobaça. No seu testamento, expressou sua vontade de ser enterrado num sarcófago posicionado de frente ao sarcófago de Inês para que quando o casal ressuscitasse no dia do Juízo Final, se olhasse nos olhos.
A história de Dom Pedro I e Inês de Castro foi real, mas inspirou também muitas lendas, diz-se, por exemplo, que depois de ter determinado a execução de Inês, D. Afonso se arrependeu e mandou chamar os executores para cancelar a ordem, mas nesse momento, os algozes de Inês teriam respondido ao rei: Agora é tarde, Inês é morta.”
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| Os sarcófagos foram decorados com cenas da vida de Inês e Pedro. |
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| Os sarcófagos ficam um de frente para o outro, exatamente como era a vontade de D. Pedro. |
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| O mosteiro é o local do descanso eterno muitos personagens da história de Portugal. Observe a data desse túmulo. |
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| Decoração portuguesa bem característica |
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| Para mim foi emocionante cada detalhe. |
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| Sensação de paz tão grande... |
Muitas lágrimas depois porque me emocionei muito nesse local, partimos de Alcobaça em direção à Fátima, o sonho da minha sogra.
Mais uns 40 minutos e chegamos a deserta cidadezinha de Fátima e depois de nos perdermos entre suas ruas bem menos encantadoras do que as de suas cidades vizinhas, chegamos ao Santuário de Fátima.
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| Tarde gelada e chuvosa, foi difícil imaginar que em certos meses não é possível andar por esse local de tão cheio. |
Eu acredito que a história de Nossa Senhora de Fátima seja bastante conhecida, o santuário é o local onde, segundo relatos históricos, a santa fez aparições em 1917.
Eu não sou católica, então visitei o local com olhar mais crítico. A economia da cidade parece sobreviver em função do santuário. A maioria das lojas de artigos religiosos no entorno estavam fechadas por causa da baixa temporada, mas posso afirmar que são dezenas e mais dezenas de comerciantes que sobrevivem da venda de artigos religiosos.
A comida em Fátima, foi a mais barata do país rsrsrs. O Bruno almoçou um gigantesco prato de sopa por centavos de euros num restaurante próximo ao Santuário, cujo nome não me recordo agora. Os pais dele almoçaram bacalhau por menos de 10 euros para duas pessoas, nesse quesito, achei bem atrativa a cidade rsrs, mas certamente a baixa temporada deve derrubar os preços de um modo geral, incluindo o preço da alimentação.
Partimos no final da tarde (em torno das 17:30hs) rumo ao Porto e cerca de duas horas depois (19:30 mais ou menos) chegamos na cidade onde pernoitaríamos, uma das cidades mais badaladas de Portugal.
Não havíamos reservado hospedagem, decidimos procurar um hotelzinho qualquer na hora. Dessa decisão eu me arrependo, pois embora as opções de hospedagem no Porto sejam muitas, era bem difícil arrumar local para estacionar enquanto parávamos de hotel em hotel para negociar preço e verificar as instalações.
Acabamos nos decidindo por um hotelzinho de instalações razoáveis mas que estava ótimo para passarmos apenas uma noite. Do hotel era possível ir a pé a quase todos os pontos turísticos da cidade.
No dia seguinte, saímos cedo e andamos até a ponte D. Luís I, a Torre dos Clérigos, a Avenida dos Aliados, dentre outros. Mesmo assim, não escolheria o hotelzinho novamente, não sei se pela baixa temporada ou por descuido, existia um forte cheiro de mofo no local, inclusive nos quartos que pareciam estar fechados há meses. O ponto positivo foi a localização e a bela arquitetura.


































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